Inteligência animal
Marcel Benedeti
A Inteligência é privilégio dos seres humanos?
A inteligência é um atributo de todo ser capaz de elaborar soluções e resolver problemas.
O ser humano possui este atributo. Possuímos um cérebro que pesa cerca de 1,5 kg e possuímos milhões de células gliais que são responsáveis por nossas funções neuronais. Temos um córtex cerebral relativamente largo que nos permite pensar e tomar decisões rapidamente. Este atributo de inteligência nos permite fazer associações e criar associações com o ambiente em que vivemos com a possibilidade de modifica-lo, se quisermos. Fazemos isso o tempo todo abrindo estradas, desviando leitos de rios, fazendo mega-construções que podem ser vistas até mesmo do espaço. Somos capazes de através de nossa inteligência nos comunicarmos entre nós por longas distâncias através de invenções obtidas através do uso deste atributo como o rádio ou o telefone, por exemplo, que permite que alguém ouça uma outra pessoa mesmo que ela não esteja presente ou que esteja a uma grande distância dali.
Este atributo de inteligência nos permite fazer cálculos matemáticos, nos permite resolver questões intrincadas e aprender por deduções.
Quando dizemos que alguém fez algo abominável, dizemos que este alguém fez algo desumano, como que atribuindo a natureza inferior dos seres que se encontram abaixo da linha evolutiva humana tais características da abominação. Quando vemos alguém praticando a caridade pensamos que esta pessoa está sendo humana, por atribuirmos somente aos seres humanos a possibilidade de exteriorizar sentimentos de compaixão como se esta fosse uma característica exclusiva desta espécie animal, a nossa. Será que é nossa a exclusividade?
Desde a Grécia e Roma antiga os seres humanos se orgulham de seus regimes políticos e sociais baseados na democracia em que a maioria decide pela minoria que aparentemente é um regime que funciona, pois está aí desde as épocas antigas em que o regime político e social greco-romano a institui.
Como dissemos a inteligência é um atributo de todos ser inteligente. Será que somente os seres humanos possuem este atributo de que nos orgulhamos tanto e que usamos como bandeira de nossa vaidade?
As evidências indicam que não. Não somos os únicos seres inteligentes sobre a face do planeta e não somente isso, pois também não somos os seres mais inteligentes deste mundo.
Para muitos essa afirmativa se configura em uma heresia, em uma ideia contrária às ciências, às religiões e a outras ideologias que vêem o homem como sendo o ápice da criação. Repare que homem está com h minúsculo.
Precisamos levar em consideração que existem seres em nosso planeta em diversos graus de evolução e em consequência disto, também em variados graus de inteligência. Precisamos também levar em consideração os vários tipos de inteligência que existem na natureza a suas aplicações. O ser humano é um dos mais inteligentes, mas ele possui um tipo de inteligência diferente dos demais assim como cada espécie a possui de forma particular. Cada qual com sua função. Mas nem por isso podemos dizer que somente os seres humanos possuem o atributo exclusivo da inteligência e sentimentos.
Muitos se surpreenderiam se disséssemos que os animais possuem inteligência além do que possa imaginar a pessoa comum. São inúmeros os casos relatados de animais fazendo demonstrações de inteligência elaborada. Os cientistas afirmam que os cetáceos, ou os golfinhos e baleias possuem inteligência maior que a dos seres humanos. Os cérebros dos golfinhos têm o mesmo peso dos cérebros humanos, mas possuem três vezes mais células que nós e processam informações 16 vezes mais rápidos que nós. Eles apresentam meios de se comunicarem que ultrapassam quaisquer meios de comunicação que nossa inteligência já tenha criado, pois se comunicam através de telepatia, como foi confirmado pela ciência. Se levarmos em consideração o tamanho do cérebro humano como base para a determinação de uma inteligência superior, então o que poderíamos dizer das baleias que possuem cérebros de 12 kg? Se considerarmos a relação proporcional entre o tamanho do corpo e do cérebro, então os seres humanos estariam novamente em desvantagem, pois existem raças de macacos que possuem uma relação maior que a nossa, como pé o caso dos macacos pregos.
Se os seres humanos criam objectos e utensílio que ajudam em sua sobrevivência e evolução, os animais também o fazem. Os macacos constroem utensílios o tempo todo como ferramentas. Há o caso de um casal de corvos considerado pelos cientistas como os protagonistas do primeiro caso confirmado de fabricação intencional de utensílio como ferramentas por aves. A fêmea construiu um gancho para alcançar um pedaço de carne colocado dentro de um frasco de abertura estreita. A fabricação desta ferramenta dependeu de uma elaboração de pensamentos e o cérebro de um corvo é menor que uma uva. Que dirá de um insecto cujo cérebro é menor que uma cabeça de fósforo. As abelhas e formigas possuem uma organização social de dar inveja a muitas organizações humanas e suas decisões não são impostas por uma rainha tirana. Um exemplo dessa democracia entre os insectos pode ser observado quando uma colmeia precisa se mudar.
Quando resolvem ir a outro local, a colmeia envia cerca de quarenta batedores em busca do local ideal. Cada qual retorna com sua proposta que passa a ser analisada pela colmeia e por fim fazem uma votação para verificarem qual o local mais aceito pela comunidade.
Na Alemanha do século passado, um senhor resolveu ensinar matemática para seus cavalos e eles aprenderam a resolver cálculos com as quatro operações básicas e ainda lhes ensinou o alfabeto para que através de batidas com o casco no chão pudessem se comunicar. Os cavalos conversavam com os cientistas normalmente através deste método como se fossem pessoas formulando frases inteligentes e resolvendo problemas matemáticos. Seu dono querendo aprofundar o aprendizado da matemática, resolveu ensinar raiz quadrada, que foi rapidamente compreendida pelos animais. Sem que fosse ensinado e apenas por dedução, resolviam problemas de raiz cúbicos. Rolf, um cão examinado também em meados do século IX era um cão matemático e grande falador, que se comunicava através de tipologia como faziam os espíritos no inicio da campanha espírita.
Em 1997 houve o relato de um gato chamado Pink conseguia falar como um ser humano e pedia leite, colo e outras coisas através da voz. Diziam que ele era portador de um defeito nas cordas vocais, mas o animal realmente sabia o que falava, pois as palavras eram compatíveis com seus desejos.
Os sentimentos, não os instintivos, mas sentimentos complexos como a compaixão pode ser observada entre os animais. Há um caso relatado de um macaco observado por cientistas que ao se deparar com um pintinho preso em uma armadilha, ao invés de captura-lo e mata-lo, o macaco preferiu soltá-lo delicadamente para que não se ferisse e o deixou partir. Duas abelhas notando um companheiro em apuros que estava dentro de um frasco contendo um liquido escorregadio que o impedia de sair dali, o auxiliaram pegando-o um de cada lado e o retiraram do perigo de morrer afogado deixando-o em um local seguro.
A surpresa maior, em se falando de inteligência entre animais e demais seres inferiores da escala evolutiva fica por conta das células, bactérias e vírus. Se ao falarmos em inteligência entre os animais podemos ser considerados blasfemadores, que dirá falar-se em inteligência em espécie ainda inferiores? No entanto cientistas afirmam que até mesmo as bactérias possuem inteligência. Segundo cientistas da Universidade de Princeton as bactérias são capazes de se comunicarem e traçarem estratégias de ataques calculadas aos hospedeiros através de uma intrigante comunicação entre elas.
Vírus como os ‘bacteriófagos’, que são vírus caçadores de bactérias apresentam estratégias de ataques solitários bem elaborados que enganam os sistemas de defesa das vítimas. Estes vírus se aproximam das bactérias e antes que notem sua presença, injectam seu material genético no interior dela. Este material genético se mistura ao da bactéria e esta sem perceber começa a produzir os componentes para construção de novos vírus. Em pouco tempo a bactéria estará abarrotada de vírus prontos e se rompem com o excesso de corpúsculos em seu interior.
Se com estes argumentos não nos convencermos de que os animais não são apenas objectos, dificilmente argumentos religiosos o farão, mas se associarmos os dois, isto é, ciência e religião, talvez nós consigamos um resultado mais promissor.
O Livro dos Espíritos nos diz que os animais possuem alma assim como todos os seres vivos. O próprio nome ‘animal’ deriva de ‘anima’ que em latim significa alma.
O Espírito da Verdade afirma que a alma que anima o Homem hoje foi o princípio inteligente que animou seres inferiores anteriormente. Isso indica que a alma dos seres humanos é a mesma alma dos outros seres da escala inferior que passou por uma elaboração evolutiva ao longo das diversas reencarnações antes de atingir este estágio actual.
Como também disse o Espírito da Verdade: Na Natureza tudo se encadeia e tende a unidade. Com isto explicou que a alma do Homem se aperfeiçoou ao longo de sua existência desde o momento em que foi criado simples e ignorante em fases anteriores a Humanidade.
Crer que já estivemos estagiando em mundos inferiores como animais para alguns é motivo de orgulho ferido, no entanto deveria ser visto como um troféu por termos atravessado toda esta extensão evolutiva com ganhos positivos.
Disse o Espírito da Verdade a Kardec: “Nada há, de resto, nessa origem, que deva humilhar o homem. Os grandes génios sentem-se humilhados por terem sido fetos informes no ventre materno? Se alguma coisa deve humilha-los, é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para sondar a profundeza de seus desígnios e a sabedoria das leis que regulam a harmonia do Universo. Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia que faz a solidariedade de todas as coisas na Natureza. Crer que Deus pudesse ter feito qualquer coisa sem objectivo e criar seres inteligentes sem futuro, seria blasfemar contra a sua bondade, que se estende sobre todas as suas criaturas”.
Bibliografia:
Scientific American (Ano 2 - n º 23 de abril de 2004)
O livro dos Espíritos (Allan Kardec)
Evolução Anímica de Gabriel Dellane.
Fenômenos Espíritas no Mundo Animal de Carlos Bernardo Loureiro
Gênese da Alma de Cairbar Schutel.
http://marcelbenedeti.com.br/blog/
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